Saturday, 24 July 2010

Da ideologia política e musical, para o retorno à elite alemã




Por Thomas Renan

Se tudo correr bem, e o Augsburg não tirar uma vantagem de 16 gols no saldo, o FC St. Pauli, um dos clubes mais alternativos do planeta, retorna à elite alemã após nove temporadas. Neste meio tempo, a equipe amargou períodos complicados, como a sequência de três anos seguidos na disputa da terceira divisão nacional.

A última rodada está marcada para o próximo sábado(09). Enquanto o Augsburg viaja para enfrentar o líder e já promovido, Kaiserslautern, o St. Pauli recebe em casa o Paderborn. Com 64 pontos, o St. Pauli ainda torce para uma vitória do Augsburg, por menos de 16 gols, ou um empate, o que daria o título da competição para a equipe.

Conheça alguns episódios que marcaram a história do clube:

Curioso em sua essência, o St. Pauli apresenta uma série de peculiaridades para os seus torcedores. O primeiro, remete à sua localização. O Estádio Millerntor está localizado nas proximadades do bairro Reeperbahn, conhecido em Hamburgo por sua agitada vida noturna composta de bares, sex shops, casas de prostituição, entre outras atrações. Inclusive, algumas casas noturnas da região, se notabilizaram por apresentarem na década de 60, quando ainda não eram conhecidos, Os Beatles.

A relação do clube com a música não para por aí. Nas partidas que ocorrem no Millerntor, os jogadores do St. Pauli entram em campo ao som de ‘’Hells Bells’’ do AC/DC. Se já não bastasse, a animação continua quando os gols dos anfitriões são comemorados ao som de ‘’Song 2’’ do Blur. O clube, também já deu nome a música da britânica Art Brut, que entrou no álbum ‘’ It’s A Bit Complicated’’.

Entrada em campo na partida contra o Bayern de Munique em 2006 pela Copa da Alemanha:

Confira a música:

Deixando o lado musical de lado, o St. Pauli também conhecido por algumas notícias curiosas que rondaram o planeta da bola. No final de 2006 por exemplo, o presidente Conny Littman, homossexual assumido, casou-se com um tenor de ópera chamado Madou Ellabib. Os dois oficializaram a relação após 11 anos de noivado na época.

Ainda em 2006, cerca de seis meses antes do casório, o clube serviu de preparação para Trinidad e Tobago no Mundial da Alemanha. Na época disputando a terceira divisão, o St. Pauli não ofereceu vida tranquila à seleção trinitária, fazendo os caribenhos suarem para garantir a vitória por 2-1.

Além da torcida, do estádio, e das curiosidades, o clube também é assunto quando resolve lançar um novo uniforme. Em 2005, o clube inovou e apresentou uma camisa camuflada de cor marrom. A camisa rodou o mundo, chamando à atenção dos amantes do futebol:

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Os cerca de 11 milhões de apaixonados torcedores são uma caso à parte na história do clube. Ainda na década de 80, a torcida, formada em sua maioria por pessoas de baixa renda, já intensificava a sua ideologia antifascista, comunista e contrário ao racismo e à homofobia. As primeiras demonstrações vieram quando a direção do clube na época lançou um projeto de modernização estrututal, muito em função do crescimento dos simpatizantes. Na contra-mão desta ideia, a torcida local criou cânticos antifascistas e tremulou bandeiras de ícones como Che Guevara no Millerntor.

Em relação a política de esquerda demonstrada com as bandeiras do guerrilheiro argentino, e a admiração pelo governante cubano Fidel Castro, o St. Pauli já chegou até a realizar um amistoso com a seleção cubana. Resultado: 7-0 para os alemães.

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”Dois torcedores com a tradicional bandeira do Che Guevara ao fundo”

A posição contra-cultural acabou gerando muita divergência na mídia, mas em contrapartida, conseguiu muitos torcedores que foram solidários á causa. O crescimento, ocasionou a criação de vários grupos organizados, que protagonizaram uma série de confusões pelos estádios da Alemanha. Apesar das brigas, até os dias de hoje a torcida local exerce seu papel político através de mensagens nas arquibancadas do Millerntor.

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”Pessoas que marcaram época são inseridas em bandeiras da torcida do St. Pauli. Na foto, pode-se observar as faces de Fidel Castro e seu inseparável charuto, e a de Jim Morrison.”

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